Paraty: a terra da cachaça, dos casarões e das ilhas paradisíacas

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Paraty, em bom e velho tupi-guarani, quer dizer “rio de paratis”, que nomeia tanto uma espécie de peixe quanto de mandioca. Mas bem que poderia significar cachaça.

Pois a cidade litorânea teve a maior produção nacional de cachaça num passado distante. Hoje, ainda preserva alambiques tradicionais. Além da típica bebida brasileira, a cidade carioca encanta visitantes pelos casarões antigos e ilhas quase desertas.

Nesse sentido, a cidade tem grande importância histórica. Afinal de contas, ela foi sede do principal porto exportador do ouro brasileiro para a Europa no século 17. E ainda foi capital do Brasil em 1930.

Além disso, Paraty também é o ponto final da Estrada Real. O antigo caminho foi construído pelos escravos em meados do século 18 para ser usado na rota do ouro, entre Ouro Preto-MG e o porto de Paraty.

Os escravos, por sua vez, se basearam no caminho aberto nas andanças do índios guaianazes pelas matas do interior brasileiro.

Quer conhecer melhor essa riqueza histórica e natural? Então, não deixe de ler este artigo até o final e programar seu passeio pela terra da cachaça.

Por que ir a Paraty?

Paraty é para mim e para você um pedacinho do litoral brasileiro que reúne cultura e biodiversidade ao mesmo tempo. Por isso, ela é o primeiro sítio misto do Brasil e da América Latina a ser considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Além, é claro, de ser patrimônio nacional.

A cidade litorânea fica a 258 quilômetros da capital Rio de Janeiro e é considerada o segundo polo turístico do estado. Além dos sobrados históricos, dos alambiques e dos fortes que lembram o antigo porto, Paraty tem 60 ilhas e 90 praias.

Desse modo, para curtir a areia branquinha e as águas cristalinas, é só escolher entre as trilhas que rasgam a Mata Atlântica ou entre os barcos que navegam no Oceano Atlântico.

Uma coisa é certa: a vista é inesquecível, proporcionando uma experiência turística inigualável.

Quando ir

Sendo o segundo destino turístico mais visitado do Rio de Janeiro, Paraty fica literalmente lotada na alta temporada.

Além disso, as chuvas de dezembro a fevereiro se intensificam, e o centro histórico alaga com facilidade.

Por isso, se você quer sossego é melhor ir no outono, a partir de abril. Os dias estão mais frios, mas nada que um banho de sol nas ilhas não resolva.

O que levar

Muitas pessoas dizem que Paraty pode ser conhecida numa viagem de bate e volta. Embora uns dias a mais na agenda sirvam para visitar com tranquilidade todos os casarões, igrejas, praias e lojas de artesanato. Então, se você vai passar uns dias na cidade histórica, não esqueça de colocar na mala os seguintes objetos:

  • tênis e chinelo
  • chapéu ou boné
  • roupa de praia
  • vestidinhos
  • bermudas
  • protetor solar e repelente

Como chegar

Por muitas décadas, Paraty ficou meio que esquecida dos turistas devido à dificuldade de acesso. A única ligação por terra era pela RJ-165, mais conhecida como estrada Paraty-Cunha, que percorre a serra carioca.

A estrada foi recuperada na década de 50. Mais tarde, nos anos 70, foi aberta a BR-101 (rodovia Rio-Santos), que facilitou ainda mais o acesso à cidade histórica.

Desse modo, os aeroportos mais próximos ficam nas capitais São Paulo e Rio de Janeiro. Para ir de São Paulo a Paraty deve-se pegar a SP-070 e a BR-459. Partindo do Rio de Janeiro, usa-se a BR-101.

Onde ficar

A rede hoteleira de Paraty possui inúmeras opções de pousadas e hotéis para todos os tipos de gostos e bolsos. Faça uma pesquisa rápida nos sites TripAdvisor, Booking e Trivago para conferir. Não esqueça de conhecer as opções do AirBnb. Agora acompanhe nossas dicas de hospedagem:

O que fazer

Para quem quer começar o roteiro turístico pela cidade de Paraty a melhor opção é iniciar passeando pelo Centro Histórico. De lá é possível chegar às praias. As mais distantes podem ser conhecidas depois de um lindo passeio de barco. Veja nossas dicas:

Centro Histórico

casas antigas, pessoas na rua, bandeirinhas penduradas no centro histórico de Paraty

Os casarões coloniais, ainda preservados, as ruas estreitas, feitas de pedras irregulares, e as sacadas românticas proporcionam uma experiência turística inesquecível. Além de fazer aquela selfie, os prédios históricos ficarão para sempre na sua memória.

Para quem não sabe, a maioria dos imóveis data do século 19, do tempo em que o Brasil era colônia de Portugal e enviava para a Europa as suas principais riquezas. Para se ter uma ideia, muitos imóveis ainda têm abacaxis esculpidos. A fruta era símbolo da riqueza.

Paraty, portanto, foi cenário da exportação do ouro e da cana de açúcar, bem como dos tristes capítulos da escravidão africana no país.


Leia também: Descubra as cervejas artesanais de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro

Apesar do tempo passado, os casarões seguem preservados. Tanto que para conhecer os imóveis tem que ir a pé, de casa em casa, já que a circulação de carros é proibida.

Alambiques

alambique de Paraty

Devido ao ciclo da cana de açúcar, a cidade se tornou polo da produção de aguardente em meados do século 18.

Aliás, o nome Paraty era sinônimo de cachaça até o início do século 20.

Houve uma época em que existiam 150 destilarias em atividade. Hoje em dia são apenas sete. Por isso os turistas sempre dão uma passadinha por elas para conhecer a verdadeira pinga brasileira.

Entre elas estão a Cachaça Coqueiro, Cachaça Paratiana e Mulatinha e Cachaça Maré Cheia. Se você aprecia a bebida, não deixe de pedir a aguardante Gabriela, que ganha o toque especial de cravo e canela em referência ao romance de Jorge Amado.

Praias e ilhas

Paraty tem lindas praias, esta tem água limpa, pedras e mata

Como você viu acima, Paraty conta com dezenas de praias e ilhas. Muitas mais parecem lugares desertos devido ao estado de preservação. Afinal, a cidade é abraçada pela Mata Atlântica, que ainda preserva 85% da sua mata original. Sendo assim, é o ponto turístico mais preservado da Costa Verde carioca.

É difícil elencar as praias mais belas, pois cada uma tem um atributo diferente.

A Praia do Sossego, por exemplo, é protegida por montanhas cobertas pela vegetação nativa. Já a Praia da Ponta Negra é usada por surfistas. Enquanto isso, a Praia do Sono possui piscinas naturais que fazem o visitante esquecer qualquer problema.

Há ainda a Praia do Meio, que em 2009 foi integrada ao Parque Nacional da Serra da Bocaina, além das lindas cachoeiras em meio à floresta.

Uma dessas cachoeiras tem o curioso nome de Pedra que Engole, porque dá aos mais desavisados a sensação de que o banhista está sendo engolido pela pedra ao tomar um banho refrescante.

Igrejas históricas

igreja de Santa Rita, em Paraty

Outro ponto turístico que não pode ser esquecido são as igrejinhas históricas. Há apenas quatro, entre elas, a Igreja de Santa Rita. Um dado curioso é que, no passado, as igrejas eram segregadas conforme o público: umas para escravos e alforriados, outras para senhoras que não queriam se “misturar” com os negros.

Apesar da raiz católica, um dado interessante é a forte influência da maçonaria na cidade. As ruas eram traçadas do nascente para o poente e do norte para o sul. Além disso, as fachadas dos sobrados tinham marcas geométricas que lembravam as crenças maçônicas.

Poderíamos ficar horas falando sobre Paraty. Afinal, além da história riquíssima e da natureza ter sido generosa com a cidade, o local também é um marco da cultura popular e dos grandes eventos culturais.

Desde 2003, por exemplo, ocorre a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que reúne milhares de pessoas em torno dos lançamentos literários e shows.

Outro destaque são as lojas de artesanato local com seus remos artesanais, cestarias, bordados e pinturas.

O que comer

prato de camarão casadinho

A rede gastronômica de Paraty é bastante variada. Os restaurantes maiores e mais tradicionais ficam nos arredores do Centro Histórico. Já as praias têm quiosques mais rústicos e simples.

Para você que vai visitar o local, não deixe de pedir um dos pratos típicos paratienses que é o camarão com mamão verde. Também se consome o Camarão Casadinho, como na foto acima.

Para beber, não esqueça de provar a alua, uma bebida feita à base de casca de abacaxi que é servida geladinha.

A culinária tem ainda influências das culturas indígena e africana. Por isso, é muito comum os restaurantes servirem o Azul Marinho, peixe enrolado numa folha de bananeira e assado na fogueira, e muitos pratos à base de frutos do mar.

E, para lembrar a influência africana, prove a galinha caiçara. O prato é servido com banana verde frita.

Para concluir, Paraty é um dos lugares mais bonitos do litoral do Sudeste brasileiro que merece ser visitado. Ao conhecer o Centro Histórico repare em cada detalhe dos casarios e, ao banhar-se nas praias, aproveite para recarregar as energias.

Agora é com você: depois de conhecer Paraty deixe aqui seu comentário sobre a sua impressão com o destino turístico. Não deixe de conhecer o artesanato local e as igrejinhas do período colonial.

Gizele Silva
Formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná, e especialista em Mídia, Política e Atores Sociais. É produtora de conteúdo para web e redes sociais na área de turismo e empreendedorismo – https://linkedin.com/in/maria-gizele-da-silva-39935a110/.