O monumental Rio Madeira, principal afluente do Rio Amazonas, com mais de 3 mil km de extensão, fornece ao turismo gastronômico de Rondônia o principal ingrediente: o peixe pirarucu. Ele é base do prato típico da capital Porto Velho. O estado é o principal produtor e exportador da espécie. Além da natureza generosa, a culinária é complementada pela cultura indígena, que contribuiu para a criação de pratos saborosos e práticos.
Conhecido como o bacalhau da região amazônica, o pirarucu é o maior peixe de água doce do Brasil. Ele chega a medir três metros. O nome é uma referência à cor da sua cauda: pirá quer dizer peixe e, urucum, vermelho. O sabor inigualável garante uma experiência gastronômica incrível, especialmente aos turistas.
Pirarucu Rondon é sensação em Porto Velho
Desde 2016, o pescado inspira chefs a fazerem o prato que é símbolo da capital Porto Velho. O “Pirarucu Rondon” foi idealizado pelo chef Manoel de Jesus Evangelista da Silva, que treinou a rede gastronômica da capital. Ele tem postas fritas e acompanhadas com ingredientes típicos da região, como jambu, tucupi, macaxeira, banana e batata doce. O jambu, inclusive, deixa sua marca exótica ao dar uma sensação de dormência na boca.
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O nome da iguaria é uma homenagem a Marechal Cândido Rondon, militar sertanista, nascido em 1865, que desbravou a região Norte sem entrar em conflitos com os indígenas. Diz a sua biografia que certa vez ele levou uma flechada de um índio e ordenou que seu exército debandasse para evitar uma batalha. O próprio nome do estado é uma lembrança do legado do militar.
Pratos picantes desafiam paladares mais resistentes
O ingrediente principal de outros pratos saborosos da gastronomia rondoniense também vem dos rios. Os peixes tambaqui e tucunaré são o carro-chefe da caldeirada, que é uma mistura dos pescados com os ingredientes nativos da região, servidos acompanhados de pirão. A receita une ainda batata, ovo, pimentão e muitos condimentos.
Já o tacacá, muito comum nos estados da região Norte, é uma receita que une camarão, goma de mandioca e jambu. Muito delicioso, ele também mistura o tucupi (caldo amarelado) e leva bastante pimenta. A origem do prato é indígena, demonstrando a influência na região.
Outro prato de origem indígena no turismo gastronômico dos restaurantes rondonienses é a damurida. Mas, para degustá-lo é preciso ter um paladar resistente ao gosto picante da pimenta. O prato reúne vários tipos de pimenta, carne de boi ou de peixe, verduras e legumes cozidos juntos. A damurida é servida com farinha e tapioca.
Sobremesas têm frutas nativas como ingrediente principal
As mais frondosas árvores frutíferas de Rondônia recheiam os cadernos de receita com a combinação de sabores. As sobremesas mais requisitadas são a torta de cupuaçu e o doce de buriti, que valem a pena ser provados.
O cupuaçu tem um sabor muito parecido com o do cacau. Popular na região Norte, a fruta é a base principal da torta de cupuaçu. A polpa é usada para rechear a torta, que pode ser acompanhada de creme de castanha. O cupuaçu também é muito utilizado para fazer bombons e outros doces.
Outra sobremesa de dar água na boca é o doce de buriti, ou muriti, como também é conhecido. O fruto de cor avermelhada é típico das regiões Norte e Nordeste do país, sendo bastante apreciado em Rondônia.
O buriti vem da palmeira que leva o mesmo nome e se espalha nas margens dos rios. É rico em vitamina A, B e C, além de cálcio, ferro e proteínas. Para fazer o doce, é preciso misturar a massa de buriti com açúcar e deixar descansar por dois dias. O doce pronto pode ser armazenado por até um ano.
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