Conheça as delícias da cozinha da região Sul do Brasil

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Nem só de churrasco gaúcho vivem os livros de receita e a cozinha da região Sul do Brasil. A região é peculiar devido às baixas temperaturas, com registros de neve no inverno, o reflexo da cultura europeia e à influência dos países da fronteira latina.

Os estados do Sul misturam o desenvolvimento das regiões metropolitanas com os sítios dos colonos descendentes de imigrantes europeus, vindos no século 19.

Não é à toa que a protagonista dos pratos típicos do Sul é a carne bovina. Os vastos campos colocam o Rio Grande do Sul e o Paraná entre os 10 maiores produtores de gado bovino do país.

Os parreirais elevam a região entre os maiores produtores de vinho. É das lavouras das cooperativas, criadas pelos imigrantes europeus, que saem boa parte dos alimentos consumidos no Brasil.

A imensa área coberta pela Mata Atlântica forneceu, graciosamente, a erva-mate, que virou ingrediente principal do chimarrão, e o pinhão, que é a semente da araucária. Hoje, o agronegócio e os pequenos agricultores exploram essas duas culturas comercialmente.

Principais influências gastronômicas

Assim como nas demais regiões brasileiras, a cozinha da região Sul recebeu influências de vários povos.

Uma delas foi o tropeirismo, no século 17, com a criação de virados enriquecidos com carne bovina. Já os vaqueiros da região de fronteira trouxeram as bases do famoso churrasco gaúcho.

Os imigrantes europeus que receberam terras do governo brasileiro para povoar a região Sul, no século 19, deixaram sua marca na gastronomia.

Os embutidos da cozinha alemã, bem como os cafés coloniais holandeses, e as massas dos colonos italianos, hoje são atrativos dos principais restaurantes sulistas.

Agora que você já conhece melhor o perfil da cozinha da região Sul, saiba mais sobre alguns dos principais pratos sulistas.

Arroz de Carreteiro

prato de arroz de carreteiro com temperos

Quando os carreteiros conduziam carroças de cargas puxadas por bois, no início do século 20, a refeição era um alento para o cansaço e a fome.

Eles deram origem ao Arroz de Carreteiro, prato típico do Rio Grande do Sul. A iguaria da cozinha da região Sul levava charque ou restos de carne de churrasco, que eram misturados a arroz e outros ingredientes.

O charque, carne de sol ou carne seca são tidos como sinônimos, mas a diferença está no preparo da carne, que é preferencialmente vitela, acém ou músculo. Uma dica é acrescentar ovos fritos em cima do arroz pronto.

A iguaria se popularizou, ganhando variações. No Nordeste, por exemplo, foi chamado de Maria Isabel. Entre os gaúchos, ficou conhecido apenas como Carreteiro.

INGREDIENTES

  • 1 kg de carne seca
  • 1 cebola picada
  • 1 colher de sopa de cheiro-verde
  • 2 xícaras de chá de arroz
  • 2 dentes de alho picados
  • 6 colheres de sopa de azeite
  • Sal a gosto

INSTRUÇÕES

  • Deixe a carne seca de molho na véspera, troque a água e cozinhe até ficar macia
  • Desfie e frite-a em uma panela com azeite
  • Quando a carne estiver dourada, coloque a cebola e o alho
  • Junte o arroz e frite
  • Acrescente a água fervente e cozinhe em fogo baixo até o arroz ficar macio
  • Salpique o cheiro-verde e sirva em seguida.

Barreado

prato de barreado com garfo e bananas ao fundo

Típico do Paraná, o Barreado é fruto de uma tradição culinária surgida com os portugueses, no século 18, no litoral paranaense, mais precisamente em Guaraqueçaba. Hoje, ele é o protagonista de festivais gastronômicos do Paraná e é servido em todas as regiões do estado.

Os ingredientes básicos são a carne bovina, especialmente paleta, maminha e patinho, além de toucinho, cebola, alho e outros temperos.

O segredo está no preparo. O Barreado é feito em uma panela de barro, com a tampa vedada com uma massa de farinha e água. A carne é cozida até desmanchar, formando um caldo grosso.

A mistura é servida acompanhada de farinha de mandioca, arroz e banana da terra cortada em tiras. A aguardente de banana é um delicioso aperitivo para abrir o apetite.

INGREDIENTES

  • 5 kg de carne
  • 1 ½  kg de cebola            
  • 200 g de bacon
  • 100 g de sal
  • 20 g de cominho
  • 50 g de alho
  • 5 g de pimenta do reino
  • 3 litros de água
  • 500 g de farinha de mandioca e 100 g de farinha de trigo para vedar a tampa da panela

INSTRUÇÕES

  • Corta-se a carne em forma de cubo com média de 5 cm, sendo o mesmo com o bacon, com média de 1 cm
  • Bate-se no liquidificador: cebola e alho, com 1 litro de água
  • Adicionar todos os ingredientes em uma panela: carne, cebola, bacon, sal, cominho, alho, pimenta e água
  • Barrear (vedar) a tampa. Para isso, faça uma pasta com a farinha de mandioca e a de trigo e espalhe com as mãos molhadas ao redor da tampa
  • Deixe a panela em fogo alto até obter fervura. Depois, baixar o fogo e aguardar por cerca de oito horas, estando pronto para servir.

Churrasco gaúcho

pedaços de carne grelhados com legumes

Não se sabe ao certo a origem do churrasco, mas acredita-se que os vaqueiros que viviam no século 17 nos pampas, entre as terras brasileiras e os limites com a Argentina, Paraguai e Uruguai começaram a tradição.

A região tinha uma produção abundante de rebanho bovino. O material mais valioso do boi era o couro, que era a pele curtida do animal.

A carne era deixada em segundo plano, mas começou a ser apreciada pelos vaqueiros. Com poucos utensílios, eles fincavam espetos de madeira no chão, faziam uma fogueira e assavam a carne.

O único tempero era o sal grosso, o mesmo produto usado na alimentação do bovino. O costume encontrou adeptos e variações no país inteiro. A carne de frango e a suína também passaram a ser usadas.

Assar um bom churrasco exige alguns cuidados, como escolher uma peça bem fresca, afiar bem a faca para melhorar o corte, acender o carvão com antecedência para liberar o cheiro de fumaça, e temperar a carne com sal grosso após ela ser levada à churrasqueira.

INGREDIENTES

  • Uma peça de carne bovina
  • Sal grosso à vontade
  • Um ou vários espetos
  • Fogo de carvão

INSTRUÇÕES

  • Colocar pedaços de carne no espeto e passar o sal grosso
  • Acender o fogo da churrasqueira e esperar a fumaça sair
  • Colocar os espetos e preservar uma distância de 25 cm do fogo
  • Come-se assada ou somente chamuscada, conforme a preferência.

Matambre Recheado

rodelas de matambre recheado no prato

O Matambre Recheado é mais uma influência dos países da fronteira entre o Brasil e a América Latina. Trazido pelos espanhóis que colonizaram os países latinos, o prato tem o sabor forte da carne bovina.

O próprio nome é de dar água na boca. Matambre seria uma abreviação de “mata-hambre”(mata fome). O corte fica localizado entre a pele e a costela. Ele pode ser preparado na grelha, no espeto ou recheado.

Mas, o prato típico da culinária regional do Rio Grande do Sul é preparado recheado. O Matambre Recheado também é preparado na Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele é conhecido como Malaya, no Chile, e Suadero, no México.

Uma dica é picá-lo em pedaços e consumi-lo frio, como aperitivo acompanhado de cerveja.

INGREDIENTES

  • 1 matambre inteiro
  • 200 g de coração de frango
  • 2 linguiças calabresas finas
  • 2 tiras de bacon cortadas finas
  • Tempero verde
  • 2 cebolas médias cortadas em cubos
  • Tempero a gosto

INSTRUÇÕES

  • Abra o matambre sobre a mesa com a parte interna para cima
  • Tempere- o por completo
  • Espalhe o tempero verde em todo o matambre
  • Coloque na ponta de baixo uma carreira de cebola, a linguiça, o coração e o bacon
  • Enrole como se fosse um rocambole
  • Amarre-o com barbante
  • Asse-o no forno ou na brasa, enrolado em papel alumínio. Após assado, está pronto para servir.

Onde comer

Você já deve estar sonhando com alguns desses pratos, não é? Apresentamos aqui algumas dicas de restaurantes que servem essas iguarias. Confira.

Churrascaria Schneider

Com restaurantes em São Leopoldo e Porto Alegre, a Churrascaria Schneider serve o típico churrasco gaúcho, além de outros pratos, como os preparados à base de frutos do mar.

Instalado em prédios em estilo germânico, a casa é tradicional no estado, servindo almoço e janta. O visitante também pode escolher a carta de vinhos.

NBSteak

O restaurante NB Steak nasceu em Porto Alegre nos anos 90. Na época, só restaurantes de beira de estrada ofereciam rodízio de carne. A casa inovou e, aos poucos, aumentou a freguesia com o churrasco servido no prato.

Com unidades espalhadas no Sul e São Paulo, o restaurante usou a criatividade, servindo degustação de carnes nobres. Em qualquer uma das suas unidades, o visitante pode encontrar sabor requintado e variedade.

Empório do Lago

O restaurante Empório do Lago fica no centro histórico de Morretes, no litoral do Paraná. Ele serve o barreado tradicional e algumas inovações do prato, como o Barreado João de Almeida, em homenagem ao fundador da cidade. O prato leva frutos do mar à milanesa.

Junto com o barreado, o cliente pode provar croquete de peixe e torradas com patê de berinjela. O restaurante serve almoço e janta.

Boteco Cotiporã

O Boteco Cotiporã é uma opção para happy hour com os amigos. A casa, que fica em Porto Alegre, serve o tradicional Arroz Carreteiro.

O visitante pode degustar o Carreteiro, como é chamado entre os gaúchos, feito na panela de ferro, com picanha e filé. Mas, também há opções mais generalistas, como porções de batatas fritas e iscas de picanha.

Como você pôde notar, a culinária do Sul tem como base a carne bovina e os seus pratos são relativamente simples, porém, tem alguns segredos, como o preparo do churrasco que começa com a escolha de uma boa peça de carne fresca.

Agora que você ficou conhecendo melhor as características da cozinha da região Sul do Brasil, que tal organizar um jantar temático com os amigos? Escola o prato principal e chame todo mundo!

Se você tem um toque especial em alguns dos pratos mencionados, ou uma dica de como fazer um bom churrasco, deixe nos comentários.

Gizele Silva
Formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná, e especialista em Mídia, Política e Atores Sociais. É produtora de conteúdo para web e redes sociais na área de turismo e empreendedorismo – https://linkedin.com/in/maria-gizele-da-silva-39935a110/.