Cozinha do Sudeste: delícias que vão do virado ao pão de queijo

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O Sudeste brasileiro é rico em vários sentidos. Isso porque a região formada por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo responde por 54% da força econômica brasileira. Assim, ela tem nada menos que 80 milhões de habitantes. Por isso a cozinha do sudeste não poderia ficar de lado quando o assunto é a grandeza do sabor.

Certamente tanta grandiosidade reflete na gastronomia. Desse modo, a cozinha local da região Sudeste tem receitas que reuniram várias influências de povos distantes e viraram populares em todas as partes do Brasil.

Então, aproveite agora para conhecer os pratos regionais de cada estado e colocar suas habilidades de cozinheiro à prova.

Principais influências gastronômicas

Europeus, africanos e indígenas foram os principais influenciadores da cozinha do Sudeste que conhecemos hoje.

Por isso, os colonizadores europeus trouxeram os cozidos, que mais tarde inspiraram a criação da feijoada. Já os indígenas perpetuaram o uso dos derivados de mandioca, que foram a base do pão de queijo mineiro.

Enquanto isso a pesca indígena também serviu de inspiração para os pratos à base de peixes, como é o caso da popular moqueca no Espírito Santo.

Só para constar, as escravas dos barões faziam o que podiam para levar os melhores pratos à mesa dos seus senhores.

Ficou curioso para saber um pouco mais sobre os pratos locais mais apreciados na cozinha do Sudeste? Então, vamos aos detalhes.

Feijoada

feijoada na panela de barro com couve e torresmo

Se você acha que a feijoada foi criada nas senzalas por escravos que ganhavam restos de carne dos seus senhores para misturá-las ao feijão, pode estar enganado.

Entretanto, a tese de pesquisadores é a de que a feijoada se inspirou nos cozidos franceses, espanhóis e portugueses. Assim o toque tupiniquim veio com o feijão preto, que é nativo da América do Sul.

Outro elemento que reforça essa tese é que os senhores de engenhos não desperdiçavam restos de carne, porque a situação econômica do Brasil na época não era das melhores. Além disso, orelha e pé de porco eram considerados pedaços nobres na Europa.

Quer aprender, passo a passo, a como fazer a feijoada, prato típico do Rio de Janeiro? Então, veja nossas dicas.

INGREDIENTES

  • 100 g de carne seca
  • 70 g de orelha de porco
  • 50 g de lombo de porco
  • 100 g de paio
  • 150 g de linguiça portuguesa
  • 100 g de carne seca
  • 70 g de pé de porco
  • 100 g de costelinha de porco
  • 1 Kg de feijão preto
  • 2 cebolas picadas
  • 1 maço de cebolinha verde picada
  • 3 folhas de louro
  • 6 dentes de alho
  • Pimenta do reino a gosto
  • 2 laranjas
  • 40 ml de pinga
  • Sal

INSTRUÇÕES

  • Deixe as carnes de molho por 36 horas, mas lembre-se de trocar a água três vezes ao dia
  • Tempere a gosto e coloque para cozinhar primeiramente as carnes duras e, na sequência, as carnes moles
  • Quando estiverem bem cozidas, retire as carnes e reserve. Na mesma água, cozinhe o feijão
  • Depois de cozido, tempere o feijão se for necessário
  • Após o cozimento do feijão, coloque as carnes e deixe cozinhar por mais alguns minutos
  • Sirva com acompanhamentos, como farofa, arroz branco e couve refogada. Para beber, a dica é a típica caipirinha nacional.

Pão de queijo

pão de queijo em vasilha e toalha azul

O pão de queijo é 100% “made in Brazil”. Acredita-se que a receita se originou nas fazendas de gado leiteiro do interior de Minas Gerais no século 18.

Para enriquecer a massa dos pães, as cozinheiras usavam polvilho, já que o país tinha uma farta produção de mandioca. Ao mesmo tempo, o estoque de queijo crescia nas despensas.

Portanto, a dica é degustar o salgado mais famoso de Minas Gerais com um café fresco saído do bule. Agora, acompanhe como é feito o pão de queijo tradicional.

INGREDIENTES

  • 1 copo (americano) de água
  • 1 copo (americano) de leite
  • 1 copo (americano) de óleo
  • 2 ovos caipiras
  • 500 g de polvilho azedo
  • 100 g de queijo parmesão ralado
  • 100 g de queijo minas picado

INSTRUÇÕES

  • Numa panela média, ferva a água, o leite, o óleo e o sal
  • Coloque o polvilho e misture até conseguir formar uma massa
  • Quando a massa estiver pronta, acrescente o queijo parmesão ralado, o queijo minas picado e os ovos caipiras
  • Misture bem e faça as bolinhas com as mãos levemente molhadas
  • Coloque numa forma para assar e retire quando estiver o pãozinho estiver dourado
  • Sirva com café fresquinho.

Virado à Paulista

virado à paulista com bisteca e couve

Como o próprio nome diz, o Virado à Paulista é um prato típico de São Paulo, servido tradicionalmente às segundas-feiras. A iguaria é tão representativa da cultura local que foi reconhecida como Patrimônio Imaterial de São Paulo, em 2018.

O que você precisa saber é que pesquisadores acreditam que o Virado à Paulista surgiu nas viagens dos bandeirantes no século 18. O prato era formado por feijão, toucinho e farinha de mandioca. Juntos, na marmita, eles se misturavam com o trotear dos cavalos, dando origem ao nome do prato. 

Mas em Minas Gerais ele ficou conhecido como Tutu à Mineira. Porém, a principal diferença entre as duas iguarias é que o virado leva feijão em grãos, enquanto o tutu, feijão moído.

Aprenda agora a fazer um Virado à Paulista saboroso.

INGREDIENTES

  • Couve fatiada
  • Alho moído e cebola ralada
  • 300 g de bacon em cubos
  • 200 g de torresmo
  • 4 ovos
  • 250 g feijão carioca
  • 3 copos de arroz (de preferência frito na banha)
  • 4 linguiças
  • 4 bistecas de porco
  • Farinha de milho

INSTRUÇÕES

  • Cozinhe o feijão numa panela de pressão com louro e bacon
  • Refogue alho e cebola, temperando o feijão cozido. Reserve
  • Cozinhe o arroz a seu gosto. Reserve
  • Frite o bacon, refogue o alho e coloque a couve. Reserve
  • Frite em frigideiras separadas as linguiças, os ovos, as bistecas e o torresmo. Reserve
  • Adicione farinha de milho ao feijão reservado para o virado
  • Monte um prato com o virado, o arroz, as carnes e os ovos.  Coloque algumas fatias de limão e sirva.

Moqueca

moqueca capixaba na panela de ferro

A moqueca é um prato tão apreciado em Vitória, no Espírito Santo, que uma lei municipal aprovada em 2012 criou o Dia da Moqueca Capixaba. A data é celebrada em 30 de setembro.

O prato tem raízes indígenas. O nome vem da expressão indígena “moquém”, que quer dizer grelha de varas para assar peixes, como era o costume dos índios.

Mas, apesar do nome, a iguaria hoje não é preparada em grelhas, e sim em panelas de barro. Os peixes mais usados são o robalo, o dourado e o badejo.

Já dizia o jornalista e escritor Cacau Monjardim: “Moqueca é capixaba, o resto é peixada”. A Moqueca Capixaba é mais suave que a baiana. A principal diferença está no tempero. Já a moqueca baiana leva azeite de dendê, enquanto que a capixaba usa urucum (colorau).

Vamos aprender a fazer uma deliciosa moqueca? Acompanhe.

INGREDIENTES

  • 1,5 quilo de peixe
  • 3 xícaras de chá de coentro
  • 2 xícaras de chá de cebolinha
  • 3 xícaras de chá de cebola
  • 5 xícaras de chá de tomate, sem a pele e sem sementes, picado
  • 1 xícara e meia de chá de suco de limão
  • 1 colher de sopa de urucum
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • Sal a gosto

INSTRUÇÕES

  • Limpe o peixe e corte as postas. Separe a cabeça para fazer o pirão
  • Tempere o peixe e deixe-o marinando por cerca de uma hora
  • Aqueça a panela de barro e refogue os temperos no azeite e no urucum
  • Coloque as postas de peixe na panela
  • Cozinhe em fogo brando. Espere levantar fervura e coloque gotas de limão
  • Deixe cozinhar por mais 10 minutos. Desligue e sirva com pirão.

Onde comer

Se você quer saborear essas e outras iguarias, trazemos aqui algumas sugestões. Acompanhe.

Bar da Dona Onça

O Virado à Paulista é um prato quase que obrigatório no Bar da Dona Onça, em São Paulo.

O ponto é tradicional e fica localizado no Edifício Copan, um dos mais charmosos da capital paulistana.

O nome do restaurante se explica pela decoração. Tem imagens de onça em todos os cantos. A fila para usar uma mesa é recompensada pelo sabor dos pratos.

Botequim

Um casarão antigo do início do século 20, com uma linda varanda, no coração do Botafogo, no Rio de Janeiro, sedia o Botequim. Ele foi a primeira casa batizada de “botequim” na capital carioca.

O restaurante foi fundado em 1979. A atração principal é a típica feijoada carioca. O prato é levado até as mesas em panelas de barro com os devidos acompanhamentos.

A Pão de Queijaria

Do pão de queijo tradicional ao mais requintado, a casa A Pão de Queijaria, em Belo Horizonte, reúne adoradores do salgado mais característico da cultura mineira.

A cozinha utiliza queijos produzidos nas mais diferentes regiões de Minas Gerais. Um dos mais pedidos é o Pernil do Chovinista que leva recheio de pernil, bacon, queijo Minas, couve e ainda é acompanhado de uma porção de polenta frita.

Ilha do Caranguejo

O restaurante Ilha do Caranguejo serve a famosa Moqueca Capixaba. As unidades de Vitória e Vila Velha têm estrutura para atender grupos grandes e pequenos que querem provar o prato típico do Espírito Santo.

O local também serve a caranguejada para fazer jus ao nome da casa e encantar os visitantes com o sabor da culinária capixaba.

Em resumo, na rotina agitada das maiores capitais brasileiras, não nos atentamos às delícias que são preparadas pelos principais chefs para agradar aos paladares mais apurados.

A cozinha do Sudeste tem pratos que ganharam status de brasileiros, com aroma e sabor marcantes.

E você, já conhecia as origens históricas dos pratos mais conhecidos da cozinha do Sudeste? Deixe pra nós nos comentários qual dos pratos tradicionais mais combina com o seu paladar e por que ele é tão importante.

Gizele Silva
Formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná, e especialista em Mídia, Política e Atores Sociais. É produtora de conteúdo para web e redes sociais na área de turismo e empreendedorismo – https://linkedin.com/in/maria-gizele-da-silva-39935a110/.